tapete de teto

jptestta@gmail.com

February 1, 2011 at 3:07pm

déjà vu.

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tem dois acentos, um olhando para o outro. como se pensassem: já não te ví antes? eles não estão alí por acaso. valem também para os assentos. talvez pela monotonia da espera, somos mais receptivos quando alguém senta-se ao seu lado. isso pode durar uma longa viagem, uma curta fila do dentista ou a vida inteira. depende de quanto a sua curiosidade seja correspondida e não vire intromissão. todos temos histórias para contar e, se escutadas com atenção, ao seu lado poderá estar alguém que não sairá mais da sua vida. pode ser que isso explique a capa do famoso filme do contador de histórias em um banco esperando alguém sentar-se ao seu lado. ou deixe sua mão suada na fila do cinema na adolescência. a vida precisa do assento do lado. para que você conheça nos outros, você mesmo.

joaopaulotesta

August 5, 2010 at 4:34pm

tudo na vida tem um porquê.

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a língua portuguesa, por exemplo, tem quatro. tem porque junto, separado, com acento, sem acento, no plural, no singular. existe um por que para cada situação, cada momento, cada pessoa e cada oração. tem aquele porque que elucida o fato e constrói uma matéria jornalística. ou o porque sim, que serve mais como ponto final. em nossas vidas não é diferente. são tantos os por quês que passamos tempo demais tentando respondê-los. relaxe, busque menos respostas e se concentre no que as perguntas te oferecem. sabe porque? para colecioná-los. ser a criança que pergunta o porque de tudo e os mesmo tempo adulto suficiente para guardar todos que você respondeu e crescer.

joaopaulotesta

April 20, 2010 at 4:02pm

nada como uma mochila para tirar o peso das costas.

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as companhias aéreas são caridosas. já pensou se, ao invés de pesar nossas mochilas, elas fossem literais e resolvessem cobrar o peso que temos nas costas naquele exato momento do check-in? você acabou de deixar para trás o trabalho, o trânsito até o aeroporto, o estacionamento do aeroporto, a correria pelo saguão, a preocupação com o passaporte, sua moeda estrangeira… mas não, elas se concentram em querer saber o peso da sua mochila. se preocupam apenas com o que está ao alcance dos olhos. são piedosas. e por mais pesada que seja, no máximo você carrega alí planos e sonhos - ou quando você a usa como travesseiro, seu plano b. não que eles não tenham seu peso, mas é aí que mora a magia da aviação: um trambolho daquele porte levanta voo usando a resistência do ar. ué, mas o que tudo isso tem a ver com as mochilas? simples, as usamos como aviões em nossas fugas. elas levantam pesos enormes que estão em nossas costas e mandam pelos ares. a liberdade veste alças meu caro, essa é a magia das mochilas.

joaopaulotesta

April 7, 2010 at 5:46pm

todo mundo teve um tio que roubava o seu nariz.

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ou deveria ter tido. esse era o único momento da sua infância em que você lembrava que tinha um nariz. único não, era o terceiro momento. no primeiro, alguém insistia para que você tirasse o dedo de lá. no segundo, para que poupasse os outros das histórias que só existiam na sua cabeça com a pena de vê-lo triplicar de tamanho instataneamente. como com o menino feito de madeira; mas de fato, que importância tinha o seu nariz? nenhuma. ele só deixava você igual aos outros. por insegurança. por estarmos em formação. para um dia crescer, e escolher se vamos mudá-lo, empiná-lo, arrancá-lo, destruí-lo ou simplesmente esquecê-lo. lembrar dele apenas quando o trânsito pára e não houver nada melhor e tentador que apontar o dedo indicador à ele. ou ter que incliná-lo para que sua boca chegue perto de outra boca. seu tio roubava de você algo muito pessoal. sua personalidade. você não chorava a tôa.

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